07/04/2010

Sobreviver a nossa Rotina nos faz ser Super



Existe uma rotina  a seguir na vida de um gordo que só o gordo sabe como é, precisamos levantar todos os dias e enfrentar nossos monstros, muitas vezes eles aparecem quando ainda estamos de olhos fechados, isso pra quem consegui dorme por que muitos de nos perde o sono pensando em como lutar contra se mesmo e vencer,  desperdiçando tempo de vida numa luta sem vencedores (é impossível vencer quando seu adversário conhece todos os seus segredos), o pensamento é fixo, odeio esse corpo ao qual estou preso, PRECISO mudar, preciso EMAGRECER, essa NÃO SOU EU, a mente fica possuída por um pensamento psicótico e perverso que se torna incessante se estendendo por todo o dia,   ao levantar da cama o banho de rotina é uma tortura, pois visualizar e tocar o corpo vira uma tarefa árdua, mas vá lá que a necessidade da higiene obriga o ato do banho, a sequencia é tomar o café da manhã   então começa a primeira batalha do dia, parte de você quer comer as delicias do dia, um pão cheiroso e fresco, uma boa fatia de queijo prato e presunto, uma fatia de bolo de milho e um delicioso copo de achocolatado, já a outra parte diz que o correto é comer uma maçã com uma fatia de pão integral e um copo de suco com adoçante,  a discussão interna não para e você sem saber o que fazer prefere só beber água e comer só no horário de almoço, seguindo para o trabalho ou para a escola tudo te atrapalha no caminho entrar em ônibus ou metro cheio, lotado, muitíssimo apertado sua mente trabalha a vergonha de ficar entalado na roleta do ônibus ou a de não conseguir se esgueirar pela fresta que tinha na porta do metro então o pensamento psicótico retorna “se eu fosse magra não passaria por isso preciso emagrecer” , então chegando no trabalho a fome já consumiu sua mente e ninguém consegui raciocinar com fome, tudo fica meio atrapalhado na mente o mal humor é notório e as coisas assim como as relações com os colegas jaó não é dos melhores afinal toda vez que você da as costa uma mania de Perseguição se instala e você acredita cegamente que todos eles falam mau de  você por trás comentando como a gorda não tem vergonha de sair de casa ou que gorda mal vestida, junta as duas coisas e o caos psicológico é quase alucinante a fome controla tudo que possa se relacionar a estado de prazer e calma que seu corpo necessita então como ainda falta muito para o almoço o lanche é feito com chocolates, biscoitos recheados, milk shake, batata frita... o corpo sente o prazer liberado pelas substancias químicas e relaxa, mas a psicose volta e te recrimina pela má alimentação, com o corpo mais relaxado e a consciência pesadão o dia segui, no almoço a briga recomeça a dificuldade em decidir-se por comidas saudáveis e as frituras com cheiros encantadores te deixa atordoada, e entre um hambúrguer  e uma coca-light  você tenta se desculpar com sigo mesmo pela má alimentação e se promete  que vai parar de comer essas bobagens, o dia segui e cada refeição é o mesmo tumultuo é hora de ir pra casa, toda a sensação de não fazer parte do mundo pelo tamanho do teu corpo não foi embora e agora volta com mais força por ter que enfrentar novamente a lotação dos meios de transporte e as piadas dentro dos coletivos, a melhor da noite foi uma frase do tipo o espaço esta pequeno demais ou é a gorda que tomou todo o lugar livre, se a estima já estava baixa agora ela passa a não existir,  então ao chegar em casa a alimentação vai servir de consolo para as dificuldades do dia, pipoca, biscoito recheado, sorvete, bombons, o bolo que não comeu no café da manhã, o queijo e o presunto, quem sabe um ovo frito com bacon e dois litros de Fanta uva, farão parte do cardápio da noite, farão parte da falta de sono por culpa,  assim como farão parte do mal humor e da culpa do dia seguinte.  Mas ainda assim você vai levantar, vai seguir todo o caminho e pegar todos os coletivos e ainda vai sorrir para aquele bebe lindo no ônibus, vai ouvir as piadas e vai pensar que idiota fala esse tipo de coisa num lugar onde não cabe nem uma mosca como a culpa pode ser minha, vai se sentir péssima e depois acreditar que no mundo só tem idiota, vai chegar no trabalho e fazer tudo que tem pra fazer mesmo sem a mínima vontade e ainda vai receber elogio pelo bom trabalho, vai imaginar que seus colegas estão falando mau de você mais mesmo assim vai agir como se nada tivesse acontecido e abrir aquele sorriso pra eles ainda ser convidada para almoçar junto, vai comer tudo que não deve e pensar se eu comer eu morro e se não comer morro também, e vai viver com toda culpa e falta de amor por seu corpo até o dia em que se cansar de se odiar e perceber que tudo isso só te deixa cansada e mal humorada mais a vida não para de correr e pra falar a verdade você é uma verdadeira mulher maravilha por passar por tudo isso e ainda ser lúcida pra resolver todos os seus problemas e ter uma carreira invejável.                

4 comentários:

Nana disse...

Realmente nossa vida é uma luta diaria...mas e bom demais qdo a gente aprende ao final do dia chegar em casa e dizer...mais um dia se foi e estou aki apesar de todos os problemas e preconceitos!!!
Monstro todos temos mesmo,eu to aprendendo a lidar com os meus...otimo texto parabéns!

Papu Morgado disse...

Entendo esse lance do sofrimento do dia a dia como algo que não é exclusividade de quem é gordo. Acho que mulheres de todos os tamanhos sofrem com este desgosto pelo corpo, com o "tenho que emagrecer", com o medo da comida. Li um livro chamado "deixar de ser gordo" (não gosto do título) do psicólogo Flavio Gikovate.
O mais interessante é que ele aborda a questão da proibição e da culpa em relação a comida.
Quanto mais nos proibimos de comer alguma coisa, mais aquilo faz crescer na nossa cabeça, mais desajamos os alimentos "proibidos".
Então o ciclo de privação X liberação faz da vida um sofrimento. Ele diz que as dietas estão baseadas na privação e que, em geral, são seguidas de compensação.
A sugestão dele é nos liberarmos das proibições e comer o que desejarmos. No começo isso pode gerar uma compulsão, mas a longo prazo, ao tirar o rótulo de "proibido" de determinados alimentos eles deixam de ser tão importantes e alimentos "de dieta" são absolvidos e passamos a comê-los não porque são liberados, mas porque gostamos deles.
Muitas linhas de nutrição hoje em dia não classificam os alimentos entre "bons" e "maus" porque muitas desordens alimentares nascem deste tipo de dicotomia.
Ao normalizarmos nossa relação com a comida existem grandes chances de normalizarmos nossa relação com o nosso corpo. Ele pode não ser perfeito e a nossa alimentação também não, mas isso passa a não ter uma importância tão grande a ponto de nos tirar o sono.
E acho que muitas mulheres, talvez a maioria estão perdendo o sono e o prazer da vida se punindo por não gostarem de seus corpos, sejam eles gordos ou não.
É a epidemia do desgosto. Aff...

Wanda Pagy disse...

PQP, ADOREIIII! TUDO QUE VC ESCREVEU ACONTECE COMIGO! VC É O MÁXIMO!

ketyanne syanne disse...

Gente vc me conhece?, vc lê mente??
Minha vida foi descrita nesse post.
È assim todos os dias, ´so esqueci da faculdade e as garotas linda loiras e magras que nela estuda :)